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Jovem quer contribuir para a divulgação da Lei VBG na sua comunidade

Andreia Vaz, ou simplesmente Aleida, é uma jovem do bairro de Tira Chapéu que igual a muitas outras jovens sonha em viver num bairro diferente e mais saudável. Desde 2012 pertence à associação Kilombo. Andreia participou em todas as actividades que o ICIEG e os seus parceiros organizaram em Tira Chapéu no passado mês de Março- mês dedicado à mulher e à sensibilização sobre a problemática da desigualdade de género. Também participou nas acções de capacitações feitas em Tira Chapéu.

Numa conversa com a jovem, ela diz se sentir em condições de sensibilizar as pessoas da sua comunidade para a questão de VBG e género.

Falando sobre a acção de capacitação em Género e VBG auto estima e empreendedorismo feminino, realizada para os elementos da Associação Kilombo, Andreia encarou essas acções como sendo de muita importância para a comunidade do seu bairro. “Na minha opinião é de extrema importância não só para nós as mulheres mas sim para todos. A lei VBG faz com que os homens e as mulheres se respeitassem mais, porque esta lei serve para regular a questão da violência, e as desigualdades com intuído de caminharem no mesmo patamar de igualdade”

Andreia foi uma das que mais levantava questões nas formações. As informações eram novas e despertava nela muita curiosidade. No final demonstrou a sua vontade e interesse de ser beneficiada de mais acções deste tipo porque as informações sobre VBG, género e auto-estima vão ajudar muito no dia-a-dia dela. Para ela mais pessoas deveriam ter a mesma oportunidade que os elementos do Kilombo dado à importância deste assunto.

Durante as capacitações em Género e VBG uma das questões que suscitaram muita conversa foi o desequilíbrio do poder. Para Andreia esta questão é importante para que se entenda a questão da desigualdade de género e uma das suas raízes.

“O desequilíbrio de poder faz com que sintamos quase sempre inferior, ou que tenhamos complexo de inferioridade, porque nós mesmas “mulheres” temos essa ideia preconcebida de que quem tem o controlo de tudo são os homens e é isso que traz mais ainda o desequilíbrio de poder”. 

Ainda acrescenta que quando há uma disputa desigual do poder origina sempre a VBG na sua maior parte contra as mulheres, mas também contra o homem. “É claro que isso gera violência porque quando, por exemplo, um homem acha que tem o controlo sobre uma mulher, começa a apoderar-se dela pensa que é o dono mostrando o seu poder sobre ela. Daí posso dizer que qualquer forma de poder do homem sobre a mulher ou vice-versa leva a VBG”.

Esta jovem pensa que uma boa estratégia de divulgar a lei VBG e a questão do género é através de palestras e encontros com a comunidade. “Pensamos que é muito importante a comunidade ficar a par do que esse tipo de violência pode causar na vida de uma pessoa, porque uma coisa e cometer o acto sem ter a consciência e outra e ter consciência e ainda assim praticar esta violência. O objectivo é Passar a informação sempre que estamos a realizar palestras, formações”

 Em forma de conclusão ela deixa uma mensagem de empoderamento às mulheres e aos homens que sofrem VBG. “Na verdade eu não gostaria que nenhuma mulher ou homem fosse vítima dessa violência, mas no caso de houver, que não fiquem intimidados (as). Devem fazer a denúncia e não aceitar que isso aconteça de novo porque se deixarem acontecer uma vez irá repetir várias vezes.

 Mês de Março, Mês da Mulher- breve contextualização

A 8 de Março de 1857, em plena Revolução Industrial, um grupo de operárias em Nova York foram trancadas e queimadas vivas pelo seu patrão e pelas forças policiais ao reivindicar as mesmas condições salariais e laborais dos homens. Na convicção de que este drama jamais deveria ser esquecido e que a coragem daquelas mulheres deveria ser para sempre homenageada, as Nações Unidas, em 1910 declarou-o como dia Internacional da Mulher.

O Dia Internacional da Mulher deve servir para chamar para a mudança e para celebrar actos de coragem e determinação por mulheres comuns que têm desempenhado um papel extraordinário na história de seus países e comunidades – sobretudo, uma oportunidade para reflectir sobre os progressos realizados. E o resultado desta reflexão tem sido, invariavelmente a de que, apesar de todas as conquistas alcançadas ao longo das décadas, ainda há muito por fazer.

São várias as facetas da desigualdade entre homens e mulheres: desde a violência baseada no género, às “barreiras invisíveis” para as mulheres no mundo laboral, na diferente possibilidade de ascensão a lideranças e cargos de chefias.

É necessário ressaltar que enquanto existir a atribuição de tarefas domésticas em função do sexo das pessoas, a distinção de brinquedos para meninas e para meninos, a utilização da imagem feminina estereotipada na publicidade, e tantas outras situações igualmente corriqueiras, o culto da diferença que leva desigualdade continuará a perpetuar todas as suas facetas, inclusivamente a da VBG.

Para além disso, já no contexto nacional, celebramos a 27 do mesmo mês, o dia da mulher cabo-verdiana, numa homenagem ao seu papel fundamental em todo o processo pré e pós Independência.

É imbuído de todos este significados que o ICIEG e os seus parceiros tem vindo a assinalar o dia 8 de Março e 27 de Março como sendo as datas centrais do mês da Mulher.

Elegeu este ano, o bairro de Tira Chapéu para celebrar o mês da Mulher. Após a apresentação de um diagnóstico social feito pela ACRIDES, onde deparou-se com várias problemáticas sociai, o ICIEG achou que deve dar a sua contribuição para diminuir as problemáticas encontradas. 

No âmbito da comemoração do mês de Março- Mês da Mulher e no dentro de uma política de descentralização das actividades comemorativas, elegeu Tira Chapéu, o bairro onde irão se desenrolar grande parte das actividades este ano.

Sob o lema “ HomiskuMudjerisdjuntu ta promoviIgualdadidiGéneru”, o ICIEG, e com o intuito de se proporcionar um ambiente saudável de acesso às informações, levar-se-ão a cabo, acções, quais sejam, de formação, sensibilização e informação em temáticas como VBG e Género, empoderamento económico e auto-estima, feira de saúde, atendimento à população com serviços de várias instituições, bem como, a realização de momentos culturais, enaltecendo as potencialidades das gentes do bairro.