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Emília, uma mulher empoderada e vencedora

Emília da Luz é uma mulher nascida em Santo Antão e há 22 anos vive na cidade da Praia. A sua história e percurso na bijuteria começou aos 17 anos em São Vicente. Ao ter o seu primeiro filho aos 17 anos, emília deparou-se com alguns conflitos com o companheiro que na época também era muito jovem. Ela recorda que sempre que tinha algum conflito com o companheiro ia se refugiar na casa de uma vizinha que fazia rendas e bordados.

Sempre ficava a olhar com muita atenção. Ao ver a sua curiosidade Emília lembra que a vizinha a mandou comprar linhas e uma agulha. Para ensina-la. “ A primeira coisa que ela me ensinou a fazer foi um cordão, depois aprendi a fazer uma peça de renda de quatro cantos. Ela me disse que eu estava pronta para fazer qualquer outro modelo”.  Depois dessa experiência Emília recorda que a primeira peça que vendeu foi uma renda redonda por 150 escudos. “ Com aquele dinheiro que ganhei comprei um fatinho para o meu filho. Já com esta aprendizagem continuei com essa actividade e fiquei conhecida.”

Depois de se separar do seu companheiro ela regressou para Santo Antão e dedicou-se ao seu trabalho que lhe deu muita visibilidade. Entretanto deu um novo passo com os bordados e almofadas. “ Lembro que fiz a minha primeira almofada que andou por toda a ilha. Quando uma pessoa tinha a almofada em mão mostrava a uma outra pessoa e assim passou de mãos em mãos”.

Hoje Emília vive na cidade da Praia, no bairro de Tira Chapéu. Ela vive do seu trabalho que faz com muita dedicação e amor. Hoje também é conhecida e o seu trabalho é solicitado por algumas associações e ONG’s. Ela é chamada a ensinar o que sabe a outras mulheres.

Esta mulher lutadora também faz parte da associação Kilombo. Por isso recebeu as acções de capacitação em género, VBG durante dois dias e auto-estima e empreendedorismo feminino por um dia. Por outro lado, teve a oportunidade de beneficiar do serviço de saúde que foi levado a cabo no bairro de Tira Chapéu no passado dia 23 de Março. Para ela esta acção deve ser repetida mais vezes visto que dá aos que não tem possibilidade, a oportunidade de fazerem algumas consultas médicas. “ Para mim foi uma grande iniciativa, porque foi nesta actividade que eu descobri que eu tinha a pressão alta. Eu nunca dei atenção a esse problema apesar de saber que eu o tinha.”. Ela realça que muitas pessoas não vão porque preferem ir trabalhar do que ir fazer as consultas. “ Muitas pessoas não vão porque preferem ir vender o seu peixe ou orientar os seus negócios”. Sabendo que tira Chapéu é um bairro com um número considerável de pessoas desempregadas, Emília aconselha todos a aproveitarem esse tipo de oportunidades. “ Muitas pessoas não têm condições económicas para irem ao médico, por isso devem aproveitar sempre que as instituições levarem essas actividades para Tira Chapéu”.

Entretanto ela finaliza sugerindo que uma outra especialidade médica que é muito essencial para a comunidade é terem consultas com dentistas.